quinta-feira, 11 de julho de 2013

Funeral de um Lavrador

                                                       Foto de Christian Cravo
                                             Intérpetre: Panvini - Rosati - Bardotti
                                             Música original: Chico Buarque
                                             Poema: João Cabral de Melo Neto                                                                                                                                     Aqui
                                                             

1 comentário:

  1. Agora você desperta de uma letargia que durou tanto tempo que se consolidou em sua mente, se arraigou no coração, se transformou numa resignação que, por trás dos bastidores, domina a cena, mesmo não sendo a verdadeira protagonista da peça.

    Agora você desperta e verifica que a vida que você construiu, a vida que você inventou para si se transformou numa linda prisão que lhe custa recursos importantes diariamente para ser sustentada e preservada.
    Porém, você não vê mais graça nessa vida.
    A perda da graça é dura, provoca reconhecimentos muito profundos, porém, há algo de divino nesse reconhecimento, pois indica que sua alma ainda sabe diferenciar a graça daquilo que está longe dessa.
    Talvez você não possa se livrar dessa prisão de imediato, talvez nem seja eficiente tomar uma atitude dessas.
    Contudo, o reconhecimento coloca em marcha um processo duradouro e inexorável, você começa neste momento a mudar sua vida e, mudando sua vida particular, você se agrega ao movimento de mudanças mundiais.
    Todos os seres humanos estão fartos do que eles mesmos inventaram e sustentaram.
    O mundo é uma projecção da criatividade humana.
    Agora que a humanidade se fartou desse mundo, inexoravelmente o destruirá para erguer sobre as cinzas um novo e, todos desejamos, melhor mundo.

    O momento é perfeito, as condições são propícias, o cenário não poderia ser mais auspicioso nem o nível de compreensão de nossa humanidade a respeito da necessidade de uma transformação política poderia ser mais evidente.
    Nada, porém, garante transformação.
    Em primeiro lugar porque a inércia é muito grande, essa faz com que as coisas continuem se repetindo no mesmo padrão, a despeito de tudo.
    Em segundo lugar porque a regra do jogo se chama livre arbítrio, nenhuma transformação acontece de forma automática, precisa ser escolhida e, através da opção e mediante empenho, superar a inércia da repetição e se submeter a um período de turbulência em que o antigo resiste a ser transformado enquanto o novo ainda não mostrou a que veio.

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